Matriz de Portfolio

Uma das coisas mais importantes em um escritório de projetos é a análise de múltiplos projetos, entendendo qual devemos escolher em meio ao cenário que se desenha dia após dia. Mas a escolha quase sempre é subjetiva e a análise por vezes pode ficar a cargo do gestor, que sem as corretas ferramentas pode se ver obrigado a tomar decisões que nem sempre coincidem com o melhor resultado esperado. Uma das formas que gosto de realizar essa análise é utilizando uma versão adaptada da matriz GUT.

Explico: existem métodos que apelam para a subjetividade presente em nosso subconsciente, e criam métricas em cima dele. Um exemplo bem conhecido no gerenciamento ágil é o Poker do Planejamento, que utiliza da sequência Fibonacci e da técnica de Delphi para conseguir montar cronogramas mais aderentes à realidade, e nós podemos utilizar a mesma noção na matriz GUT.


A matriz GUT significa simplesmente uma matriz de Gravidade vs Urgência vs Tendência, a ideia é dar uma nota para cada ponto da gravidade, urgência, tendência, o resultado dessa multiplicação te dá uma noção de impacto. Mas nem sempre os números falam por si só, e os próprios números podem ficar em um limbo se a escala utilizada não for clara, então como adaptar? O exemplo que demonstro a seguir foi uma adaptação própria, a qual costumo chamar de Matriz de Portfólio.


Primeiro: gravidade, urgência e tendência talvez não sejam parâmetros interessantes para o projeto, mas Globalidade (ou gleba), Utilidade e Tangibilidade talvez sejam parâmetros mais interessantes para um gestor e o resultado esperado pode ser analisado sobre um parâmetro de valor. A matriz abaixo é um exemplo dessa explicação:



É fácil classificar o projeto quando todos os dados estão na mesma linha, mas e quando possuímos múltiplas linhas? Qual o impacto de um projeto processual (como um de qualidade total) aplicado a nível nacional na empresa, e que já está implementado? Ai que a matemática entra em questão.


Podemos usar a sequência Fibonacci: 1,2,3,5,8 para realizar os pesos de cada nível. Porque essa sequência? Simplesmente porque nosso mente, subjetivamente, está mais acostumada com essa sequência, já que sua proporção é natural à biologia, assim temos:


Dessa forma fica mais fácil identificar onde o projeto está, do exemplo dado utilizando a tabela, temos: um projeto processual (tangibilidade = 2) aplicado a nível nacional na empresa ( globalidade = 3), e que já está implementado (utilidade = 5), temo então 2x3x5 = 30. Agora cabe ao gestor do portfólio o rigor da análise do impacto. Se dissermos que projetos entre 1 e 8 são projetos que estão ainda inacessíveis, ao invés de projetos que já são uteis, então estamos dizendo que o portfólio não deve aceitar qualquer projeto de nível pessoal cuja tangibilidade seja comportamental.


O que até faria sentido, ou seja um projeto cujo o impacto seja apenas a um grupo de pessoas e que envolva o seu comportamento talvez não seja interessante para termos na gestão do portfólio. Ex: projetos de criação de uma escola de on-boarding (boas vindas) a novos funcionários.


O interessante dessa análise é a gama de possibilidades que ela oferece, no exemplo dado os impactos podem ter cerca de 64 resultados diferentes dentro da matriz. Os projetos podem ser agrupados seguindo uma ordem maior impacto para o menor, e o gestor pode utilizar o custo de cada projeto como critério de desempate para o caso daqueles que estiverem com a mesma nota.


Dessa forma a gestão consegue ter uma noção melhor de como escolher os projetos, tendo uma visão mais analítica e também mais voltado ao valor do projeto para o cliente.

25 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo