Não seja Multitarefa.

Atualizado: 28 de nov. de 2019


Na área de gerenciamento de projetos uma metodologia tem crescido muito nos últimos anos: a metodologia SCRUM, que faz parte do que chamam de Metodologias Ágeis. Longe de mim querer revisar a metodologia, ou contar o que ela é, mas apenas compartilhar de um pensamento - ou mudança de pensamento - que tomou conta de mim desde que conheci a metodologia.

Primeiramente, segundo Jeff Sutherland criador do SCRUM, ser ágil é entender que:

  • Planejar é útil. Seguir cegamente os planos é burrice.

  • Entregue aquilo que gera valor para o cliente de forma rápida e com qualidade.

  • Fracasse rápido para que possa corrigir o problema o quanto antes.

  • Interfuncionalidade: A equipe deve ter todas as capacidades necessárias para concluir um projeto, seja a missão entregar um software, seja capturar terroristas no Iraque.

  • Ser multitarefa emburrece.

  • Fazer pela metade não é fazer.

  • Nada de escrotice: não seja um e não tolere esse tipo de comportamento (caos emocional).

Percebeu algo de estranho? Sim! ser Multitarefa emburrece! É engraçado pois já vi em muitas descrições de vagas de emprego exigindo um perfil “multitarefa”, uma pessoa capaz de “fazer várias coisas ao mesmo tempo”. Isso porque a ideia de multitarefa está erroneamente associada a um um “Triatleta” do mundo corporativo, um profissional que pedala, corre e nada. Quando a imagem que deveríamos ter é a de um malabarista andando de monociclo enquanto tenta manter todos os objetos no no ar. Pode até funcionar no começo, mas com certeza seria melhor se ele fizesse uma atividade de cada vez.


Triatleta: nadar e morrer na praia.

Jeff propõe ao leitores de seu livro: “a arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo” um exercício: Escreva de 0 a 10 em números arábicos, depois em romanos, e por último as 11 primeiras letras do alfabeto. Cronometre o tempo que demora para fazer essa sequência. E depois cronometre o tempo que levaria para fazer a mesma sequência, mas buscando primeiro finalizar cada número, e não cada tipo de algarismos, ou seja: escreva primeiro 0 em arábico, 0 em romanos, primeira letra do alfabeto, depois 1 em arábico… e assim por diante.


Você vai perceber que claramente seu rendimento caiu, mas Jeff vai além, e mostra que em projetos, quando nos dedicamos a apenas 1 projeto, temos 100% do rendimento, mas quando passamos a ter 2 projetos, nosso rendimento cai para apenas 40% para cada projeto. O que significa que somos capazes de usar apenas 80% de nossa capacidade, os outros 20% são desperdiçados entre a troca de um projeto e outro e na queda de produtividade que ocorre em nossa mente.


Quando trabalhei na Holanda meu professor e mentor, dizia que eu deveria estudar o projeto e buscar resolve-lo me dedicando durante todo o dia ao projeto. Se eu precisasse descansar, que fosse um dia inteiro de descanso, o importante era nunca interromper uma atividade. E só partir para a próxima quando já houvesse entregado o que me era pedido.


Muitas vezes temos demandas e entregas que requerem de nós atenção imediata, e temos que lidar com diferentes tarefas ao mesmo tempo. Isso é muito comum em uma hierarquia funcional, utilizada por grandes empresas, com uma vasta carteira de produtos que precisam de atenção a todo instante. Mas já é menos comum em corporações projetizadas onde o gerente de projetos tem total autonomia para gerir seu projeto, e a empresa é guiada pela realização de tais projetos.


Fala-se que na verdade o profissional deve ser Interfuncional, capaz sim de solucionar problemas em diferentes áreas, ter diferentes funções, mas que essas funções devam ser executadas uma de cada vez, e não todas ao mesmo tempo. Assim o profissional garantirá sua versatilidade, mas manterá seu alto desempenho.







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